A história não-história
26/04/2010
Aconteceu e ainda acontece, em uma cidade longe e perto, em dias comuns e dias incomuns, uma história ou uma não-história de uma pessoa. Nessa história e não-história, certas coisas são constantes; outras boas outras nem tanto. Mas o que mais parece incomodar essa pessoa, é o fato de estar se fazendo perguntas o tempo todo. Claro que é necessário se indagar toda hora, mas o que essa pessoa não entende, é que algumas perguntas simplesmente não têm uma resposta pronta, não têm um manual de instruções, não têm o certo e o errado. O que tem geralmente, é uma série de fatos, interpretados (algumas vezes mal, outras nem tanto) para si. E isso acontece o tempo todo, mas parece que ele não consegue ver o que está, esteve e estará na sua tortuosa caminhada. E isso, com certeza, não é nada legal. Ao seu redor, o ambiente que essa pessoa tem nem sempre lhe foi tão favorável, mas que nunca lhe foram tão ruins assim. Nem sempre a vida lhe poupou por ter seguidos certos caminhos erradamente. Tal castigo, ás vezes é compreensivo, devido ao fato dela estar sempre lhe enviando sinais para melhor escolha desse caminho. E esse castigo, maltrata cada vez mais o nosso protagonista, com sua mania incessante de distorção dos fatos. Hoje, está ali, no seu canto, estagnado e imóvel feito uma estátua. Ao seu redor, tem muitas coisas espalhadas; coisas velhas, fotos que estão amarelas ou simplesmente sem cor, mas que parecem ter uma atração quase que doentia pelo protagonista da nossa história. Ou naõ seria o contrário? Afinal, fotos são coisas sem vida, e quem toma a decisão são as pessoas. Enfim…além dessas hoje pseudo-fotos, tem também uns copos vazios, que lhe serviram de consolo para esquecer que o tempo esteve ali e que passou na mesma velocidade que o piscar dos seus olhos. Ou em um estalar de dedos? Mas afinal, por que viver uma história-não história? Por que viver um tempo não-tempo; tempo este que chegou e foi embora? Talvez pelo fato de estar sempre parado no mesmo lugar e ao mesmo tempo com a cabeça em milhões de lugares? Sim, talvez. Vive e não vive, seu coração bate mas só por obrigação e sua cabeça voa por estúpida opção. É só mais um na mesma fila que todos estão, indo para o mesmo lugar. Mas apesar de tudo, amigos não lhe faltam. Amigos estes que estão caminhando, lutando, correndo e vivendo a medida que o tempo lhe oferece, a medida que crescem e amadurecem, a medida que os dias passam e aquelas coisas que a gente imaginava fazer quando criança, foram meramente pensamentos mais puros e mais verdadeiros que os que temos hoje em dia. Aqueles pensamentos puros e sua atitudes mais puras ainda. Aquela sua primeira paixão do tempo em que brincava com seus bonecos, e que sonhava, mesmo que imaturamente, ficar com aquela menininha linda, com seus olhos castanhos, quando crescesse. A descoberta do sentimento mais puro existente, que todos buscam, foi feito de maneira tão natural, sem ninguém lhe cobrando absolutamente nada, sem ninguém parecendo se importar, foi tão fácil quanto um adulto poderia lhe tirar um doce seu, enquanto seus olhos se prestavam a ver a doce menina passando.
Mas parece que ele cresceu e ….retrocedeu. Não seguiu a pureza das atitudes da criança feliz e completa que foi, com seus pensamentos. Mais puros e mais saudáveis por que tais não eram tão exigentes, não tiravam tantas forças, não faziam perder a concentração, não faziam desviar a atenção para aquilo que era realmente necessário. E como isso lhe desgasta, como isso lhe cansa. Estão todos por ali, estáticos…
